Domingo de Páscoa | Jo 20,1-9
Por Dom Jeová Elias, bispo de Goiás
Neste domingo, o nosso coração vibra de alegria com a ressurreição de Jesus. O canto do Aleluia, silenciado ao longo da Quaresma, volta a ressoar: Jesus está vivo, venceu a morte, foi glorificado pelo Pai! Aí está o fundamento da nossa fé. Essa alegria não pode ser contida em apenas um dia. Por isso, a Igreja estende a celebração por oito dias, como um longo e único dia, para nos alegrarmos com a vitória de Jesus sobre a morte. Este tempo pascal será celebrado durante cinquenta dias, até Pentecostes.
A palavra Páscoa significa passagem. Em Jesus Cristo, a Páscoa é passagem da morte para a ressurreição gloriosa. É vitória da vida sobre tudo o que representa morte.
O relato evangélico nos leva ao sepulcro, no primeiro dia da semana, evocando o início da criação, quando Deus disse: “haja a luz”. O texto destaca que ainda estava escuro, bem de madrugada. No Ressuscitado brilha a luz da nova criação.
Maria Madalena é símbolo da comunidade sofrida com a morte de Jesus, que vê o túmulo vazio como lugar do fracasso de Deus. Ela fala no plural: “tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram”. Sua conclusão, embora lógica, era equivocada.
O primeiro indicativo da ressurreição é um sinal negativo: o túmulo vazio. A palavra “túmulo” aparece sete vezes nos nove versículos. Contudo, o túmulo vazio, visto como indício de violação, torna-se prenúncio de vitória. Os panos estão dobrados, não jogados — sinal de que não houve roubo. Como diz Bortolini, “o túmulo não é o lugar da morte, e sim do encontro do Senhor da vida com sua esposa, a comunidade”.
Destaca-se também o verbo “correr”, com quatro menções. Madalena corre ao encontro dos discípulos; eles correm ao túmulo; e aquele a quem Jesus amava corre mais rápido e chega primeiro. João não nomeia esse discípulo: ele é “aquele a quem Jesus amava”. Quem se sente amado tem mais vigor para correr ao encontro da pessoa que ama. Com certeza, o discípulo amado é cada um de nós. Somos convidados a correr ao encontro do Senhor e a experimentar o seu amor.
A Páscoa de Jesus não é apenas um fato do passado, tampouco se restringe à vida futura. Ela abre-nos à esperança de dias melhores no presente e fortalece-nos no empenho contra as injustiças. No Ressuscitado, também somos vitoriosos. A ressurreição nos convence de que Deus faz justiça às vítimas inocentes: o bem triunfa sobre o mal, a verdade sobre a mentira, o amor sobre o ódio. Como afirma o Pe. Pagola, Deus não está com os que crucificam, mas com os crucificados. Só há uma maneira de imitá-lo: ficar sempre junto dos que sofrem, lutar sempre contra os que fazem sofrer (PAGOLA, O Caminho aberto por Jesus – João, p. 241).
Essa convicção nos sustenta e fortalece nossa caminhada!
Faço votos de que a esperança se renove em seu coração, em meio à tentação do desânimo. Que a ressurreição de Jesus traga novo vigor à sua vida. Como nos lembra o papa Francisco, nunca devemos fugir da ressurreição de Jesus nem nos dar por mortos, pois nada pode mais do que a vida d’Ele, que nos impele adiante (FRANCISCO, Evangelii Gaudium, n. 3).
Desejo-lhe uma feliz e abençoada Páscoa, juntamente com sua família e todas as pessoas do seu convívio.




