InícioA Voz do PastorReflexão BíblicaO triunfo do cristão e estandarte de vitória é a cruz

O triunfo do cristão e estandarte de vitória é a cruz

XXII Domingo do Tempo Comum | Mt 16,21-27
Por Dom Jeová Elias, bispo de Goiás    

Neste último domingo de agosto, mês vocacional, a Igreja no Brasil celebra o Dia dos Catequistas. Rezamos por todos e todas que, com generosidade, dedicam-se ao anúncio da Palavra e à formação dos discípulos missionários de Jesus. Que o Senhor os fortaleça nessa missão tão importante!

O Evangelho deste domingo dá continuidade ao tema do domingo passado, quando Pedro professara que Jesus era o Messias. Mateus mostra Jesus anunciando aos discípulos o caminho da cruz. Nesse percurso, o ponto culminante é Jerusalém, onde, depois de sofrer com as elites dominantes, Jesus será morto, mas ressuscitará. Como disse o papa Francisco ao episcopado brasileiro no Rio de Janeiro: “Nada é mais alto do que o abaixamento da Cruz, porque lá se atinge verdadeiramente a altura do amor!”

Diante das incompreensões, Jesus explica aos discípulos em que consiste seu messianismo e faz o primeiro anúncio da sua paixão e morte. Seu messianismo não é triunfalista, contém a marca do conflito com os poderes que o levarão à pena capital: o poder econômico, representado pelos anciãos; o poder religioso-político, representado pelos sacerdotes; e o poder do conhecimento, pelos doutores da Lei. Os ideais de Jesus contrastam com os interesses desses três segmentos, que compõem o Sinédrio, tribunal que o condenará.

Aos que afirmam que Jesus é o Messias, são apresentadas três condições para segui-lo: renunciar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo.

Renunciar a si mesmo é reconhecer o absoluto de Deus; é reconhecer que Jesus é o fundamento do pensar e do agir; é deixar de ser o centro e colocar como mais importante a pessoa de Jesus e seu projeto. Não é anular-se como pessoa, mas despojar-se das ambições pessoais e vencer o egoísmo.

Tomar a cruz é assumir as consequências de abraçar o projeto de Jesus, que priorizava os pobres, os sofredores, os pecadores, os doentes e os rejeitados, contestando uma sociedade marcada pelo preconceito e pela exclusão. Como nos lembra o papa Francisco: “A fé conserva sempre um aspecto de cruz, certa obscuridade que não retira a firmeza à sua adesão” (EG n. 42).

Infelizmente, para alguns cristãos, a cruz de Cristo é constrangedora. Como advertia São Paulo aos Filipenses, também hoje há muitos inimigos da cruz de Cristo (cf. Fl 3,18). Para o papa Francisco, “o triunfo do cristão é sempre uma cruz, mas cruz que é, simultaneamente, estandarte de vitória, que se empunha com ternura batalhadora contra as investidas do mal” (Evangelii Gaudium n. 85).

Seguir Jesus é trilhar o caminho que Ele trilhou, com as opções que Ele assumiu e com as consequências delas. É dispor-se a ir com Ele até à morte, para com Ele ressuscitar e triunfar.

Pedro não entende o anúncio da paixão: era difícil aceitar um Messias condenado à morte. Chamado “pedra” de construção da Igreja no Evangelho de domingo passado (cf. Mt 16,18), Pedro agora é advertido como tentador, como “pedra de tropeço”, que não pensa como Deus, mas como os homens (v. 23). Está condicionado pela lógica humana do poder, do triunfo, da vitória pela força. Mas, para Jesus, o sentido da vida está em doar-se até a morte e morte de cruz. A felicidade se alcança na doação da vida aqui, mas se plenificará na eternidade (cf. v. 26).

Mateus explora os verbos salvar/perder; perder/encontrar; ganhar/perder; dar/retribuir. O que as pessoas entendem por “ganhar” ou “perder” a vida destoa do entendimento de Jesus. Para Ele, quem pensa em ganhar a vida acumulando bens vai perdê-la (v. 26); e quem a “perde”, isto é, quem a doa por amor a Ele e aos irmãos vai encontrá-la (v. 25) e receberá a retribuição divina.

Jesus sempre esteve ao lado dos derrotados, dos humilhados, até o seu último suspiro. Mesmo colocando-se ao lado dos vencidos e não dos vencedores, triunfou, venceu a morte e ressuscitou (v. 21). Os discípulos devem seguir o exemplo do Mestre: estar ao lado dos últimos, dos que não contam, dos que são vistos como derrotados. Assim, como Jesus, alcançarão a vitória.

Aos catequistas, que se colocam generosamente a serviço da Palavra, nossa gratidão e oração. Faço votos de que não desanimem perante as dificuldades e incompreensões. A cruz de Jesus seja estandarte no ministério que você, querido catequista, exerce. Mas ela é fecunda e dará frutos durante esta caminhada e assegura a vitória final. Jesus caminha conosco e nos dá força na caminhada.

Que possamos todos, como Jesus, abraçar a cruz com coragem, certos de que ela é caminho de vida e estandarte de vitória. Que Maria, Mãe dos catequistas e a mais perfeita discípula missionária, interceda por nós e nos ensine a responder fielmente e com alegria ao chamado de Deus.

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