XXI Domingo do Tempo Comum | Mt 16,13-20
Por Dom Jeová Elias, bispo de Goiás
Neste quarto domingo de agosto, mês vocacional, rezamos por todos os leigos e leigas, para que o Senhor os mantenha firmes no anúncio e testemunho do Evangelho. A enorme maioria da Igreja, Povo de Deus, é composta de leigos, vocação com igual dignidade às demais.
No Evangelho deste domingo, Jesus vai para a região de Cesareia de Filipe, distante de Jerusalém, valorizando as periferias, longe dos condicionamentos do centro do poder. O nome daquela cidade homenageava César, imperador romano, cultuado como divindade. Ali, Jesus pergunta: “quem dizem os homens ser o Filho do homem?” (v. 13). Ao denominar-se “Filho do Homem”, Jesus coloca-se no chão da nossa história e valoriza a nossa humanidade (cf. Bortolini, José. Roteiros Homiléticos, Anos A, B, C. Página 210. Editora Paulus, 2008). As respostas mostram a diversidade de opiniões e incompreensões: uns dizem que é João Batista; outros, Elias; e, para outros, é Jeremias ou algum dos profetas (cf. Mt 16,14).
Jesus não tem a intenção de saber o que as pessoas pensam sobre Ele; sua pergunta não é curiosidade fútil nem sondagem de opinião pública: Ele quer provocar o comprometimento dos seus apóstolos. É fácil responder o que os outros dizem sobre Jesus, embora as respostas sejam inexatas. Isto não compromete pessoalmente. A verdadeira intenção de Jesus é saber como o grupo se posiciona em relação a Ele, que os apóstolos se definam diante da sua pessoa. Então, segue a segunda pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou? “ (v. 15).
Pedro, antecipando-se ao grupo, responde, com coragem: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo!” (Mt 16,16). Esta resposta é um dos pontos altos do Evangelho de Mateus, que apresenta Jesus como o Emanuel, o Deus conosco e Salvador (cf. Mt 1,25). Mostra que o verdadeiro Messias não é César, nem veio dos palácios reais, mas o nazareno, enviado de Deus na periferia. A afirmação de que Jesus é o Messias compromete com o seu projeto de vida para todos. Ele é o Messias, mas o seu messianismo não é triunfalista, conforme a expectativa judaica. O pedido de Jesus para que não o proclamassem Messias (v. 20) pretendia evitar essa compreensão equivocada.
Aos poucos, porém, Pedro foi crescendo na consciência da resposta dada. Era difícil romper com as expectativas judaicas. Reconhecer Jesus como Messias não é fruto de especulação intelectual, mas graça divina: segundo as próprias palavras de Jesus, essa profissão de fé lhe foi revelada pelo Pai (v. 17). É feliz aquele que reconhece Jesus como Messias e adere ao seu projeto de vida. Esse reconhecimento e adesão ao mestre da justiça do Reino acarreta consequências nem sempre agradáveis. Mas Jesus promete que as forças da morte não prevalecerão (v. 18).
Ao reconhecer Jesus como o Messias, o Filho de Deus (v. 16), Pedro é visto como feliz, por Jesus, e recebe as chaves do Reino de Deus (v. 19). Mais do que um poder temporal, compreendido equivocadamente em certos períodos, Jesus confia um serviço a Pedro, primeiro bispo de Roma. O papa é considerado o “servo dos servos de Deus”. Assim como Jesus, deve abaixar-se para servir aos irmãos, sobretudo os mais fragilizados.
A pergunta, “e vós, quem dizeis que eu sou? ”, perpassa a história e chega aos nossos ouvidos. Também hoje as compreensões são diversas e algumas equivocadas. Muita gente vê Jesus conforme seus interesses, pensamentos e ideologias, construindo um Deus à sua própria imagem e semelhança. O papa Francisco corrigiu o equívoco de quem constrói um Cristo puramente espiritual, sem carne, sem cruz e sem contato com o outro (cf. EG n. 88). Para nós, da América Latina, Jesus é alguém que assume uma opção de vida clara e exigente pelos mais sofridos, que veio para que todos tenham vida em plenitude (cf. Jo 10,10).
Somos interpelados a continuar respondendo a essa pergunta fundamental: para nós, quem é Jesus?
Os leigos compõem a grande maioria da Igreja, Povo de Deus. Graças a eles, o Evangelho chega aos diversos ambientes, especialmente às periferias existenciais e geográficas. Rezemos hoje, especialmente, pelos que participam das diversas pastorais. Obrigado a todos e todas que não medem esforços para testemunhar a alegria do Evangelho. Deus retribua a sua generosidade.

