XVII Domingo do Tempo Comum | Mt 13,44-52
Por Dom Jeová Elias, bispo de Goiás
Com as três parábolas deste domingo concluímos a série das sete parábolas sobre o Reino de Deus no capítulo 13 de Mateus, onde Jesus usa imagens sugestivas e de simples compreensão para explicar o valor e a beleza do Reino. O conceito de Reino, na linguagem sociopolítica, designa um território governado por um monarca. Aplicado a Deus, porém, a compreensão é diferente, pois Ele não é um monarca que impõe sua vontade e explora as pessoas, mas propõe valores que promovem a beleza da vida. De modo semelhante, seu Filho Jesus não foi um rei dominador, mas um servo que pregou o amor, sofrendo, como consequência da sua ousadia profética, a morte de cruz. Esse Reino tem início aqui, mas se plenificará na eternidade.
Mateus escreveu seu Evangelho por volta do ano 80, muitos anos após a morte de Jesus, quando já havia arrefecido o entusiasmo inicial de alguns cristãos e as perseguições aos discípulos de Jesus se intensificavam. Era preciso dar uma injeção de ânimo para renovar o compromisso com Cristo e reavivar a beleza do Reino de Deus. As parábolas do capítulo 13 devem ser entendidas nesse contexto.
Hoje temos três parábolas exclusivas de Mateus: a do tesouro escondido no campo (v. 44), a da pérola preciosa (v. 46) e a da rede lançada ao mar (vv. 47-48).
As duas primeiras parábolas, do tesouro e da pérola, falam da alegria de quem encontra algo de valor incomparável e se desfaz de tudo para adquiri-lo. Elas mostram o absoluto do Reino de Deus: o Reino proposto por Jesus, marcado pelo amor, pela fraternidade, pela paz, pelo perdão e pela partilha, é um tesouro que devemos abraçar acima de qualquer coisa. Há no coração humano um desejo inato de felicidade. Todos queremos ser felizes e nos empenhamos para isso, embora, algumas vezes, erremos o alvo. O texto de hoje apresenta esse desejo e a alegria de quem encontra o objeto sonhado. Porém, a comparação tem limites: o Reino é dom gratuito, não é de iniciativa humana, nem pode ser comprado. Foi dado por Jesus. Nós fomos encontrados por Ele, mas devemos torná-lo absoluto em nossa vida.
Os apóstolos entenderam o valor do Reino: ao serem encontrados por Jesus, deixaram tudo e o seguiram. Também os santos vivenciaram essa lição. Santo Agostinho, depois de buscar a felicidade de modo equivocado, confessou: “Senhor, fizeste-nos para ti e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em ti”. São Francisco não encontrou nas riquezas a felicidade almejada; desfez-se de tudo, até da própria roupa, para encontrar a felicidade no Cristo presente nos pobres, nos leprosos e na beleza da natureza. São Charles de Foucauld, militar da aristocracia francesa, com acesso a prazeres e dinheiro, vivia inquieto e sedento de felicidade que não encontrara nos prazeres efêmeros. Ele descobriu que a centralidade da vida cristã é o absoluto de Deus: “Quando descobri que Deus existia, descobri também que não poderia viver senão só para ele”. Como nos ensina o Documento de Aparecida: “conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DAp n. 29).
O Reino de Deus está presente na nossa história, com suas contradições: muitas coisas boas e outras ruins. A terceira parábola, da rede lançada ao mar (vv. 47-48), expressa bem isso. O Reino é como uma rede que apanha peixes de todos os tipos. Os pescadores, depois de recolhê-la, fazem a seleção, descartando os que não prestam. No Reino convivem valores e contravalores. Mas Deus é paciente, espera até o último momento, pois não deseja a morte do pecador, que criou com tanto amor. Por isso concede tempo suficiente para que decidamos pela verdadeira felicidade. Ao fazer referência ao juízo final, Mateus convida os irmãos a decidirem resolutamente pelos valores do Reino.
Mateus conclui sua narrativa das sete parábolas interrogando se os ouvintes compreenderam o que Jesus dissera (v. 51) e obtendo resposta positiva. Os discípulos compreendem, isto é, assumem aquele ensinamento e buscam viver e anunciar os valores do Reino inaugurado por Jesus, continuado por eles, que prolongam a prática do Mestre. Eles são comparados ao pai de família que retira do seu tesouro coisas novas e velhas (v. 52), ensinando a novidade trazida por Jesus que plenifica a Antiga Aliança.
Meus queridos amigos e amigas, neste domingo celebramos a Festa da Sra. Santana, nossa padroeira diocesana, e o VI Dia Mundial dos Avós e Idosos. Eles são um tesouro para nós! O papa Leão XIV, em sua mensagem para este dia, destaca a atenção especial que Deus dedica a eles: “Eu nunca te esquecerei” (Is 49,15). Que os avós e idosos, verdadeiros tesouros da Igreja, sejam para todos sinal de esperança. Nosso abraço especial a você, querido idoso, e a todos os avós.

