Queridos irmãos e irmãs,
Na alegria do Tempo Pascal, chegamos ao mês de maio renovados na esperança que o Ressuscitado nos trouxe e preparando o nosso coração para celebrar a presença do Espírito Santo entre nós em Pentecostes, que coroa a Páscoa. Renovemos nosso compromisso com a sinodalidade e com o cuidado dos mais necessitados, para que o fogo do Espírito aqueça nossas comunidades e ilumine os caminhos da evangelização no Brasil.
Neste mês, acolhemos com espírito de comunhão as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, fruto de um amplo processo de escuta sinodal e reflexão entre os bispos. Elas propõem os caminhos da missão, enfatizam a sinodalidade, a inclusão social, o cuidado com a Casa Comum e a formação de comunidades missionárias diante dos desafios da sociedade brasileira. Essas Diretrizes orientarão a missão da Igreja nos próximos seis anos. Em nossa Diocese de Goiás, a Opção Fundamental está em sintonia com esses temas. Renovamos nosso compromisso de atualizá-la diante das novas exigências.
As celebrações litúrgicas que alimentam nossa fé, ao longo deste mês, são riquíssimas. No dia 17, teremos a Solenidade da Ascensão do Senhor, que nos convida a elevar o olhar para o Cristo que sobe ao Pai, levando consigo nossa humanidade, mas não nos deixa órfãos. No dia 24, vivemos a grande festa de Pentecostes: o Espírito Santo desce sobre a Igreja e renova a face da terra. É Ele que animou os profetas, fortaleceu os mártires e hoje nos impulsiona na construção de um mundo novo, com justiça, paz e fraternidade. No dia 31, celebramos a Santíssima Trindade, modelo perfeito de comunidade e amor recíproco. Que essas celebrações aprofundem em nós a experiência do Deus vivo que caminha conosco.
O mês de maio é tradicionalmente dedicado a Maria, Mãe da Igreja. Nela, contemplamos a ternura materna de Deus, que sempre nos ampara. Por sua intercessão, apresentamos ao Senhor nossas vidas e necessidades, com a certeza de que seremos ouvidos. A experiência humana entre filhos e mães nos dá a confiança de que não ficaremos sós nas aflições. O profeta Isaías pergunta se uma mãe poderia esquecer o filho de suas entranhas. E sua resposta é ousada e doce: mesmo que isso acontecesse, Deus não se esqueceria de nós (cf. Is 49,15). Podemos, pois, confiar que, pela intercessão de Maria, o Pai acolhe nossos pedidos e agradecimentos.
Em nossa diocese, constatamos a bonita presença da devoção à Bem-Aventurada Virgem Maria sob diversos títulos. Muitas paróquias, capelas e comunidades rurais a têm como padroeira: Nossa Senhora Aparecida, de Fátima, do Rosário, da Abadia, entre outras. As novenas, os terços e as orações a Maria sustentam a fé do nosso povo e a missão da Igreja de testemunhar seu Filho Jesus a todas as nações.
No dia 1º de maio, celebramos São José Operário. Bendizemos a Deus pelo acompanhamento do pai adotivo de Jesus, que sustentou sua família com o trabalho digno de carpinteiro. São José Operário ensinou a Jesus a nobreza do trabalho, do ganho do pão com honestidade e dignidade. Mais tarde, Jesus declararia a santidade do trabalho, afirmando que o Pai trabalha sempre e Ele também (cf. Jo 5,17).
Essa memória transcende o aspecto religioso e une-se à comemoração do Dia do Trabalhador, ressignificando a luta contra a exploração. A data remonta à greve de trabalhadores em Chicago, em 1886, pela redução da carga horária que chegava a catorze horas diárias. No Brasil, há registros de organizações desde 1891, e a oficialização do feriado nacional ocorreu em 1924.
Na busca por uma carga horária mais humana e por condições mínimas de subsistência, a figura do carpinteiro de Nazaré nos recorda que o trabalho não é uma mercadoria, mas uma coparticipação na obra da criação, merecedora de justiça e respeito. Assim nos ensina a Encíclica Laborem Exercens, do papa São João Paulo II, ao afirmar a “prioridade do trabalho em relação ao capital” (LE, 15). Em mensagem dirigida ao povo brasileiro neste Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, a CNBB recorda que “o trabalho, antes de ser força de produção, é expressão da dignidade da pessoa humana, participação na obra criadora de Deus e caminho de serviço ao bem comum”. Manifesta também sua preocupação com a “substituição de contratos de trabalho regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por vínculos precários de prestação de serviços” e com o “direito sagrado ao repouso, garantido por escalas de atividades que permitam aos trabalhadores melhor qualidade de vida e mais tempo com suas famílias”. Celebrar o Dia do Trabalhador e da trabalhadora é, portanto, um ato de resistência que une a mística da carpintaria de José com a urgência de humanizar uma economia que esteja a serviço do ser humano. A todos os trabalhadores e trabalhadoras que, dia após dia, derramam seu suor para construir um mundo mais justo e fraterno, nossa gratidão e reconhecimento.
No dia 2 de maio, fazemos memória dos doze anos da Páscoa de Dom Tomás Balduino. Ao longo de trinta e um anos de pastoreio na Diocese de Goiás, ele deixou um legado inspirador de vivência do Evangelho: defesa intransigente dos direitos humanos, aplicação das decisões do Concílio Vaticano II em nossa Igreja no Brasil e um tempo de descoberta e prática da sinodalidade. Recordamos também seu incentivo às Comunidades Eclesiais de Base, que permanecem vivas em nossa diocese como sementes de uma Igreja sinodal, pobre e missionária. Essa memória nos motiva a continuar a nossa Opção Fundamental ao lado dos pequenos e a atualizar o pensamento de Dom Tomás: “Direitos humanos não se pede de joelhos, mas exige-se de pé”.
Ainda ressoam em nossas comunidades os frutos da Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema foi Fraternidade e Moradia, que denunciou a grave realidade habitacional no nosso país. Agradeço a todos que participaram das celebrações e contribuíram com a coleta solidária. Que as sementes lançadas na Quaresma germinem em iniciativas concretas que garantam o direito à moradia digna para todos.
Neste mês, alguns presbíteros assumirão o trabalho pastoral em novas paróquias. Renovo minha gratidão aos que disseram “sim” ao chamado divino à nova missão. Agradeço igualmente às comunidades que os acolhem. Conto com a compreensão de todos e com as orações para que essa etapa seja marcada pelo trabalho conjunto. Que o Espírito Santo, festejado por toda a Igreja no dia 24, ilumine a todos e fortaleça os laços de comunhão.
Parabenizo todas as mães que, como a Mãe Maria, buscam cumprir a vontade do Senhor por meio do cuidado e do amor com que vivem a simplicidade de seus dias. Que Ele abençoe cada uma de vocês pelo belo testemunho na família, na comunidade e no mundo.
Recebam meu abraço fraterno e contem sempre com minhas orações.

+Dom Jeová Elias
Bispo de Goiás
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