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Carta Mensal do Bispo Diocesano de Goiás | Junho de 2026

Queridos irmãos e irmãs,

Agradecidos a Deus pelo Tempo Pascal celebrado, retomamos o Tempo Comum, caminhando com Jesus e seus discípulos no anúncio do Reino e aprendendo com Ele a fazer o bem. Com o auxílio de seu Espírito, consagremo-nos à missão evangelizadora ao longo deste mês de junho, fazendo-nos Igreja em saída.

O mês de junho é dedicado à conscientização sobre a importância da preservação dos biomas, das espécies e dos ecossistemas naturais. Proposto pela CNBB, o Junho Verde foi transformado no Projeto de Lei 14.393/2022 e incentiva práticas sustentáveis. Para os cristãos, cuidar da obra do Criador faz parte da missão evangelizadora, porque Deus, ao criar o mundo, nossa casa comum, viu que tudo era muito bom (cf. Gn 1,31). Essa iniciativa amplia as reflexões e ações que antes se concentravam apenas no Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho. O primeiro objetivo da campanha é educar e conscientizar a população sobre a preservação ambiental e a interdependência entre todos os seres do planeta. Para o papa Francisco, diante da crise ecológica sem precedentes que a atitude predatória humana causou à Terra, é necessária uma transformação cultural, ética e espiritual, modificando nossos estilos de vida (cf. LS 202). Vale a pena aprofundar o tema e descobrir as diversas ações possíveis para efetivar a defesa da vida na dimensão ambiental.

No dia 04 de junho, celebramos a Solenidade de Corpus Christi, na qual proclamamos e testemunhamos publicamente nossa fé na presença real de Jesus Cristo no pão e no vinho consagrados. A Eucaristia é, antes de tudo, o Sacramento da unidade. No entanto, constatamos com tristeza que a humanidade vive marcada por divisões, disseminação do ódio, difamação, egoísmo e indiferença. Essas atitudes atentam contra o próprio Corpo de Cristo que desejou sermos um como Ele e o Pai são um (cf. Jo 17,11). Como afirma São Paulo: “Somos um só pão e um só corpo” (1Cor 10,17). A Eucaristia, portanto, nos compromete a ser um só corpo, mesmo na diversidade dos membros, pois assim como muitos grãos formam um só pão, nós, sendo muitos, formamos um só corpo em Cristo. Vivamos, pois, a unidade desejada por Jesus.

No dia 5 de junho, sexta-feira seguinte a Corpus Christi, celebra-se a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, devoção que nos leva a contemplar o imenso amor humano e divino de seu Coração. O papa João Paulo II, em 1995, instituiu esse dia como o “Dia Mundial de Oração pela Santificação do Clero”. Em sua   Carta Encíclica Dilexit Nos, sobre o Amor Humano e Divino do Coração de Jesus, o papa Francisco alerta que “não é o culto a um órgão separado da Pessoa de Jesus. O que contemplamos e adoramos é a Jesus Cristo por inteiro” (DN, n. 48), e Ele nos ama também com um coração humano, pois se fez um de nós, com sentimentos e emoções. Este amor humano está infinitamente ligado ao seu amor divino (cf. DN, n. 67). O papa lembra que é preciso prolongar o amor de Jesus aos irmãos, reconhecendo que “a melhor resposta ao amor de seu Coração é o amor aos irmãos” (DN, n. 167). Além disso, a obra missionária da Igreja anunciando o amor de Deus é prolongamento do amor do Coração de Cristo. Peçamos que do Coração de Jesus brotem rios de água viva para curar as nossas feridas, a fim de caminharmos em direção a um mundo mais justo, solidário e fraterno.

No dia 24 bendiremos a Deus pela Natividade de São João Batista, e no dia 29, o testemunho de fé dos Apóstolos Pedro e Paulo (celebrado no domingo anterior). Como esses santos, devemos responder ao chamado de Deus doando a vida por amor a Cristo e aos irmãos. São João Batista foi chamado desde o ventre materno a preparar o caminho do Senhor, como “voz que clama no deserto” (Jo 1,23). Pregou a penitência, celebrou o batismo de conversão e deu a vida pela verdade. São Pedro foi constituído rocha sobre a qual o Senhor edificou sua Igreja (cf. Mt 16,18). São Paulo, Apóstolo das Nações, anunciou o Evangelho corajosamente, principalmente entre os gentios, e selou seu testemunho com o martírio em Roma, sob o imperador Nero. Assim como eles, sejamos fiéis ao compromisso com o Reino, vivendo com coerência, anunciando o Evangelho sem medo, comprometidos com o amor, a justiça e a fraternidade.

Neste mês, unimo-nos à intenção de oração do Santo Padre, o papa Leão XIV, pedindo que o esporte seja instrumento de paz, encontro e diálogo entre culturas e nações, promovendo valores como o respeito, a solidariedade e a superação pessoal. Que o esporte, vivido à luz do Evangelho, ajude a construir pontes onde hoje há muros, e fraternidade onde ainda reinam a indiferença e a ganância. Como sinal concreto de comunhão com o sucessor de Pedro, sejamos generosos com o Óbolo de São Pedro, contribuindo para as obras de caridade e missão da Igreja universal. Que a exemplo de Pedro e Paulo, nossa fé se traduza em gestos de amor, solidariedade e paz.

Recebam meu abraço fraterno e contem sempre com minhas orações.

+Dom Jeová Elias

Bispo de Goiás


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