Nesta sexta-feira, 17 de julho de 2026, a Diocese de Goiás celebrou o seu bicentenário em missa em ação de graças presidida por Dom Jeová Elias, 14º bispo desta igreja particular. A celebração contou com a participação dos bispos Dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB; Dom Francisco Agamenilton, bispo de Luziânia e secretário do Regional Centro-Oeste da CNBB; Dom Levi Bonatto, bispo auxiliar de Goiânia. Vários padres da Diocese de Goiás e de outras dioceses também participaram, além de diáconos, religiosos e religiosas. O prefeito municipal de Goiás, Aderson Liberato Gouvea, e a primeira-dama, Célia Mendanha, também participaram.
A celebração foi marcada pelo retrospecto da história da Diocese de Goiás, primeiro com a leitura proferida pelo padre Severino José da Silva, que trouxe um panorama dessa rica história de fé, devoção e caminhada pastoral enraizada na vida do povo de Goiás. Depois, com a homilia do bispo na qual ele destacou cinco pontos. No primeiro, Dom Jeová lembrou que esse foi um dia de dupla graça pelos 200 anos da diocese e pela abertura da novena da padroeira da diocese, Sant’Ana. “Hoje, duzentos anos depois, também nós podemos dizer: o Espírito do Senhor está sobre nós. E nos ungiu. E nos enviou. Esta é a nossa identidade: uma Igreja ungida para evangelizar os pobres, curar os feridos, libertar os cativos e proclamar um ano de graça”.

No segundo ponto, Dom Jeová comentou que é fundamental olhar para trás com gratidão. “A história desta diocese não é um acaso – é um rio de graças que corre desde os tempos coloniais, atravessou o Império, a República, a ditadura militar, a redemocratização, e chegou até nós, com suas marcas, suas dores e suas glórias”. Ele lembrou com gratidão os vários bispos e missionários anônimos que por esta igreja particular passaram e evangelizaram na imensidão desse território com cerca de 619 mil km² no início da diocese e hoje com 21 mil km².
O bispo também pediu perdão por tantos pecados ao longo dessa história. A celebração dos 200 anos também foi marcada por um exame de consciência comunitário, afinal vários cristãos tiveram suas vidas ceifadas pela causa do reino ao longo dessa trajetória. “Recordamos publicamente o nome de Nativo da Natividade, que foi assassinado por defender a justa distribuição da terra. Seu sangue ainda clama no nosso solo diocesano. Recordamos também o Pe. Francisco Cavazzuti, missionário italiano que sofreu um atentado covarde que o deixou cego e com cicatrizes profundas no seu corpo até sua morte recente. Ele perdoou. E nós, hoje, pedimos perdão por toda violência que, direta ou indiretamente, se abateu sobre aqueles que apenas anunciavam o Evangelho. Pedimos perdão também pelos nossos silêncios. Pelas vezes em que calamos por medo da morte”.

Por fim, Dom Jeová pediu a todos que olhem o presente com lucidez e o futuro com esperança ao fazer memória desses 200 anos de história, uma vez que “o mundo mudou como nunca”, nos últimos anos, é preciso discernimento para que a Igreja continue a sua missão. O bispo pediu ainda as bênçãos da Senhora Sant’Ana ao concluir a sua homilia. “Ao rendermos graças a Deus na abertura da novena de Sant’Ana, pedimos que, assim como ela ensinou os valores do Reino à sua filha Maria, também nos ajude a acolher a Palavra feita carne, seu querido Neto Jesus Cristo”.
A palavra também foi concedida ao secretário geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers, que destacou que a Diocese de Goiás escreveu “uma das mais belas páginas da história da Igreja no Brasil”, com suas marcas de fé entrelaças com a vida do povo goiano. Ele agradeceu, em nome da Conferência Nacional dos Bispos, por esta bonita caminhada que é motivação para toda a Igreja universal.

O Pe. Augusto Cézar, cura da Catedral, fez um breve histórico sobre a fundação da igreja mãe da Diocese de Goiás e convidou a todos para participarem da primeira noite de quermesse da Padroeira ao som de muita música popular brasileira e comidas preparadas pela comissão organizadora da festa.
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