“Ele ressuscitou e vai à vossa frente para a Galileia” (cf. Mt 28,7)
Queridos irmãos e irmãs,
A paz, a esperança e a alegria do Ressuscitado!
Que graça de Deus e alegria é ouvirmos o anúncio: Jesus ressuscitou! Quanta luz irradia dessa palavra dita pelo anjo! Quanta esperança se renova na caminhada de nossas comunidades! A Páscoa do Senhor é realidade na liturgia e na vida. Com o primeiro anúncio da ressurreição confiado às mulheres, somos também nós chamados a celebrar e levar a alegria e a esperança da vida nova a todas as pessoas e situações que aguardam ser iluminadas por esse clarão.
- O mistério pascal que celebramos: centro da nossa fé e fonte de esperança em meio às dores do mundo
Logo no início deste mês, vivenciaremos o Tríduo Pascal, centro de nossa fé, celebrado na liturgia e na vida. Embora se estenda por três dias — Quinta-feira Santa, Sexta-feira da Paixão e Vigília Pascal —, o Tríduo constitui uma única e grandiosa celebração, na qual a Páscoa de Cristo se desenrola em sua plenitude: da Ceia do Senhor à paixão, morte e ressurreição. Mergulhamos neste mistério, conforme afirma o Apóstolo Paulo: “pelo batismo, na sua morte, fomos sepultados com ele, para que, como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também nós levemos uma vida nova” (Rm 6,4). Sigamos, pois, aquele que vai à nossa frente às “Galileias” da vida, anunciando sua paz, esperança e alegria.
Nesse tempo em que imperam o desamor, a violência e guerras que trazem terror, morte e sofrimento — como os conflitos em Gaza e regiões vizinhas, os casos de feminicídio, a fome e a falta de moradia para tantos irmãos — urge testemunharmos a esperança nascida da ressurreição. Esses eventos são sinais de que a humanidade ainda não compreendeu nem acolheu plenamente a mensagem da paz. Mesmo quando nos sentimos impotentes diante das forças da morte, somos chamados a transformar o mundo a partir do que celebramos no banquete da vida. Essas dores não podem ser uma sentença de morte, mas constituem oportunidade para uma presença cristã que denuncie as injustiças e testemunhe a vitória do Ressuscitado.
- – Dinamismo missionário: novas nomeações de padres e apelo à acolhida fraterna
Após longo tempo de discernimento dos membros do Conselho Presbiteral e invocando o auxílio do Espírito Santo, estamos realizando novas nomeações para os serviços diocesanos e transferências de padres. Elas visam oferecer experiências renovadas às comunidades e aos presbíteros, como sinal do dinamismo da missão evangelizadora e da abertura de coração de todos nós, que estamos sempre prontos a ser enviados aonde o Espírito nos indicar para viver a missão. Conforme os Atos dos Apóstolos (2,1-11), o Espírito é vento impetuoso: desinstala, liberta do medo, do egoísmo e da indiferença. Essas mudanças nas paróquias e nos serviços diocesanos pretendem impulsionar cada vez mais o anúncio do Evangelho.
Aos presbíteros que agora partem para uma nova missão e às queridas comunidades que os enviam ou os acolhem, dirijo as palavras inspiradoras do papa Leão XIV, em sua mensagem para o 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Ele recorda que toda vocação nasce da descoberta interior do dom de Deus, que fala ao coração na oração silenciosa e na escuta confiante da sua Palavra. Diz ainda que “a vocação, na verdade, não é uma meta estática, mas um processo dinâmico de amadurecimento, favorecido pela intimidade com o Senhor: estar com Jesus, deixar o Espírito Santo agir nos corações e nas situações da vida e reler tudo à luz do dom recebido significa crescer na vocação”. Para o papa Leão, “A vida, efetivamente, revela-se como contínuo confiar e abandonar-se ao Senhor, mesmo quando os seus planos perturbam os nossos”. Ele apresenta São José como exemplo de confiança em Deus ao acolher com o coração obediente a sua missão. Com esse mesmo espírito, cada padre que parte para uma nova missão e cada comunidade chamada a acolher um novo pastor são convidados a dar um passo de fé, confiantes de que Deus prepara, na obediência e na confiança, frutos que ainda não podemos ver.
Peço que cada comunidade acolha de coração aberto aquele que o Senhor envia para assumir os trabalhos pastorais, certa de que traz novas graças e energias para o anúncio do Evangelho. Aos padres que deram um “sim” generoso à nova missão, expressamos nossa profunda gratidão pela dedicação, pelo testemunho de vida e pelo serviço prestado com amor e fidelidade. Agradecemos também às comunidades que os acolheram até aqui, por terem caminhado juntos na construção do Reino de Deus.
- Pedido de oração neste 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações (26 de abril)
No dia 26 de abril, 4º Domingo da Páscoa, celebraremos o 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, inspirado no Bom Pastor, que nos conduz por prados verdejantes e entrega sua vida por amor. Na sua mensagem, o papa Leão XIV nos recorda que a vocação é um encantar-se pela beleza divina e nasce da escuta atenta e confiante da Palavra. Não é algo dado de uma vez por todas, mas um caminho que se desenvolve como a vida humana: o dom recebido precisa alimentar-se da relação quotidiana com Deus para crescer e dar fruto.
Nossa diocese conhece bem a carência de vocações. Por isso, neste dia, elevemos nossa oração com gratidão pelos que disseram “sim” ao chamado, especialmente pelos presbíteros que servem em nosso meio, e também pelos jovens do nosso seminário, para que sejam fortalecidos em seu caminho.
Rezemos ainda por todos aqueles que sentem no coração o chamado ao serviço do Reino nas diversas vocações, para que respondam com coragem, generosidade e disponibilidade. Que o Bom Pastor suscite em tantos corações a alegria de dizer sim.
Como nos ensinou o Jubileu da Esperança, somos chamados a cultivar uma confiança sólida nas promessas de Deus, sem ceder ao desespero. O Ressuscitado é o Senhor da história e de nossa vida pessoal; Ele não nos abandona nas horas sombrias, mas dissipa as trevas com sua luz. É pela força do seu Espírito que, mesmo em meio a provações e crises, nossa vocação pode amadurecer, refletindo cada vez mais a beleza d’Aquele que nos chamou, apesar de nossas feridas e quedas.
Que a alegria da Páscoa renove em nós a certeza de que Deus continua a chamar e a enviar. E que Maria, Mãe da Igreja, interceda por nossa diocese, para que sejamos sempre um povo aberto à voz do Bom Pastor, confiante de que Ele caminha conosco.
Desejo a todos e a todas uma Feliz Páscoa e um Tempo Pascal de alegrias e esperanças!
Recebam meu abraço fraterno e contem sempre com minhas orações.

+Dom Jeová Elias
Bispo de Goiás






