Goiás, agosto de 2026.
Queridos irmãos e irmãs,
Desejo que estejam fortalecidos na missão, testemunhando a beleza de ser cristão ao vivenciar a alegria do Evangelho.
O mês de agosto é tradicionalmente dedicado às vocações, aos chamados que Deus faz a cada pessoa. Nosso primeiro chamado é à vida; depois, a ser seguidores de Jesus, seus discípulos missionários, tendo os seus sentimentos e atitudes, colocando a vida a serviço numa vocação específica, vivendo a alegria do Evangelho. Recordamos, ao longo do mês, as diversas vocações e ministérios: a vocação aos ministérios ordenados – diaconado, presbiterado e episcopado; a vocação matrimonial, na constituição da primeira Igreja que é a família; a dos religiosos e religiosas; a dos leigos e leigas, especialmente dos catequistas.
No primeiro domingo, ligado à memória de São João Maria Vianney (04 de agosto), padroeiro dos presbíteros, agradecemos a Deus por todos os que responderam “sim” a esse chamado. Sabemos que na missão do presbítero apresentam-se muitas alegrias advindas da descoberta da “pérola preciosa” (cf. Mt 13,45), que é o Reino dos Céus. Contudo, os desafios no pastoreio da comunidade exigem energia, muito trabalho, caridade pastoral e paciência. Nesse dia, pedimos ao Senhor que anime todos os diáconos, presbíteros e bispos, para que sejam perseverantes em sua vocação. Rezemos também pelos seminaristas e para que o Pai suscite novas vocações para o serviço do Reino.
Entre as celebrações importantes, destaca-se a Festa da Transfiguração do Senhor (06 de agosto), como antecipação da glória de Jesus em sua Páscoa. Diante da incompreensão de Pedro — “Senhor, é bom ficarmos aqui” (Mt 17,4) — e, tantas vezes, da nossa própria, essa festa recorda-nos que não temos aqui morada definitiva e nos anima no caminho da cruz para chegar à glória. Essa antecipação da glória de Cristo “irradia sobre todos os corpos flagelados pela violência, sobre os corpos crucificados pela dor, sobre os corpos abandonados na miséria”, como disse o papa Leão XIV no Angelus de 1º de março deste ano. A Transfiguração de Jesus não é um evento isolado, mas remete ao destino de toda a criação, chamada à plenitude, e manifesta a força de Deus que faz passar do sofrimento à vida nova.
Nesse dia 6 de agosto, fazemos triste memória do lançamento da bomba atômica pelos Estados Unidos sobre Hiroshima, no Japão, em 1945, causando 140 mil mortes. Atualmente, estima-se que existam cerca de 12.500 armas nucleares no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), com potencial para destruir nosso planeta várias vezes. Na mensagem para o 59º Dia Mundial da Paz, o papa Leão XIV fez um apelo por uma paz desarmada e desarmante, aquela que aposta na não violência como caminho a ser percorrido e na bondade como virtude para desarmar os corações, as mentes e a vida. “Nunca mais a guerra” (Papa Leão XIV). Rezemos pela paz no mundo, diante dos atuais conflitos e guerras.
No segundo domingo, rezamos pelas pessoas chamadas à vocação matrimonial, da vida em família, para que vivam os valores do Reino no seio do lar, que é a primeira Igreja, com atenção especial aos pais. O Documento de Aparecida apresenta a família como “um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos e caribenhos, e patrimônio da humanidade inteira” (DAp, n. 432). De 9 a 15 de agosto, no Brasil, celebramos a Semana Nacional da Família, cujo tema é: “Família, torna-te aquilo que és”, e o lema: “O amor jamais acabará” (1Cor 13,8). Ao longo dessa semana, por meio de encontros, reflexões
e orações, a Igreja busca evangelizar as famílias, fortalecer seus vínculos e incentivar a reflexão sobre a qualidade dos relacionamentos, promovendo a vivência do amor cristão. Que este tempo seja também ocasião para testemunhar a família como núcleo vital da sociedade e da Igreja.
A Assunção de Nossa Senhora ao céu, celebrada no terceiro domingo, é expressão da vitória do Ressuscitado na vida de sua mãe amada. Mas também é fruto da resposta humana: Maria acolheu e correspondeu plenamente à graça recebida. Em sua humanidade fiel, ela antecipa o destino que Deus deseja para todos os seus filhos. Em alguns períodos da história, Maria foi apresentada quase como uma figura divina, ofuscando a beleza e a riqueza de sua humanidade. O Documento de Aparecida, porém, resgata essa dimensão ao descrevê-la em sua condição humana de discípula e missionária, atenta à vida dos povos, e reconhece nela a discípula mais perfeita do Senhor e a seguidora mais radical de Cristo (cf. DAp, n. 266 e 270). Nesse dia, rezamos de modo especial pelos religiosos e religiosas que consagram sua vida a Deus e, como Maria, se dedicam ao serviço dos irmãos mais pobres. Expresso minha gratidão a todos aqueles que disseram “sim” ao chamado divino e se colocaram a serviço do Senhor nos irmãos.
No dia 23 de agosto, bendizemos a Deus pelo modelo de santidade que é Santa Rosa de Lima. Nascida em Lima, no Peru, em 1586, faleceu nessa mesma cidade em 1617, aos 31 anos. Desde cedo consagrou-se à oração, à penitência e à caridade: cuidava dos doentes, ajudava os pobres, especialmente indígenas e negros, e vivia em profunda união com Cristo. Santa Rosa de Lima é a primeira santa das Américas e é padroeira da América Latina e das Filipinas.
No dia 24 de agosto, celebramos a festa do Apóstolo São Bartolomeu, também chamado Natanael, de quem o Senhor disse: “Este é um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade” (Jo 1,47). Que esses dois santos — a primeira flor da santidade americana e o apóstolo testemunha de Jesus — intercedam por nossa Diocese e por toda a América Latina.
Recordamos, neste mês, os bispos profetas de nosso tempo: 6 anos da páscoa de Dom Pedro Casaldáliga, celebrada no dia 8 de agosto, defensor dos povos indígenas e profeta da esperança. São dele as proféticas frases: “Na dúvida, fique ao lado dos pobres” e “Minhas causas valem mais que a minha vida”. E, no dia 27 de agosto, recordamos a páscoa de três grandes bispos: Dom Hélder Câmara (1999), irmão dos pobres e profeta da paz e da esperança; de Dom Luciano Mendes de Almeida (2006), profeta da bondade, que se destacou na caminhada da Igreja latino-americana; e de Dom José Maria Pires, profeta da causa dos povos negros. Que essas memórias fortaleçam nosso compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e fraterna e alimentem nossos sonhos por um mundo novo, de mais igualdade.
Com pesar e alegria profética, nossa Diocese faz memória dos 39 anos do atentado que deixou cego o Pe. Francisco Cavazzuti, no dia 27 de agosto de 1987. Ele sofreu as consequências da defesa vigorosa dos pequenos lavradores e dos direitos humanos e por ter orientado moral e eticamente as comunidades por onde passou. Diante da perda da visão e da angústia inerente a ela, Chicão escreveu: “faz tanto tempo que caminho nesta noite sem fim (…) como demora a luz amanhecer!” (CAVAZZUTI, Francisco. Salmos da Obscuridão. Centro Missionário Diocesano – Carpi; Associazione Culturale Il Portico, 1997, p. 46).
No último domingo do mês, será realizada em todas as comunidades a coleta em favor do nosso Seminário Diocesano, destinada à formação dos futuros presbíteros. Peço a generosa contribuição de todos, pois é no seminário que as vocações são acolhidas, discernidas e acompanhadas para o ministério ordenado.
Recebam meu abraço fraterno e desejo sincero de que sejam fortalecidos em sua vocação!
Com minha bênção,

Dom Jeová Elias
Bispo da Diocese de Goiás
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