Um em Cristo, unidos na missão
Queridos irmãos e irmãs,
A graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos e todas!
Após a bela experiência de acompanharmos o livro do Profeta Daniel no mês de setembro, em outubro temos o Mês Missionário, oportunidade de renovar o compromisso batismal com a missão. Ainda há muitas periferias existenciais e geográficas que precisam receber a mensagem evangélica da esperança e da paz.
Neste ano, temos uma motivação especial para celebrar o Mês Missionário: o Centésimo Dia Mundial das Missões. O tema escolhido pelo papa Leão XIV, “Um em Cristo, unidos na missão”, impulsiona-nos ao testemunho da palavra de João 17,21, no lema: “Para que o mundo creia”. Vivemos, porém, uma cultura marcada por profundas divisões e lamentamos as guerras que contradizem a vontade de Jesus: “Que todos sejam um”. A unidade que Ele pediu ao Pai não é uniformidade, mas comunhão na diversidade, sinal de que o Reino já está presente entre nós. Fortalecidos pela união com o Senhor e com nossos irmãos e irmãs, somos enviados a anunciar essa mensagem de esperança, conduzidos pelo Espírito.
A Campanha Missionária nos ajuda a intensificar esforços para concretizar nosso compromisso batismal. Soma-se a isso a promoção da coleta no Dia Mundial das Missões, nos dias 17 e 18 de outubro, que ajudará a levar o Evangelho da esperança a muitos filhos e filhas de Deus em situação de vulnerabilidade social no mundo. Como de costume, o valor arrecadado será enviado à diocese, que repassará às POM (Pontifícias Obras Missionárias). Que a vivência deste Mês Missionário renove em nós o ardor e a alegria de sermos enviados ao encontro de Cristo nos irmãos e nas irmãs.
Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil
No dia 12 de outubro, celebramos a Bem-Aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil. Em 1930, o papa Pio XI oficializou o título de “Padroeira Principal de Todo o Brasil diante de Deus” e, no ano seguinte, houve a proclamação solene no Rio de Janeiro, então capital federal.
A imagem negra, pescada no rio Paraíba do Sul, em 1717, por pescadores pobres, faz-nos refletir sobre a ajuda de Nossa Senhora aos pequenos trabalhadores que buscam seu sustento com honestidade e dignidade. A Mãe Aparecida acolhe também a todos que lhe suplicam nas variadas necessidades, ou que simplesmente querem crescer na fé, tendo-a como referência do amor materno de Deus para com seus filhos e filhas.
Essa devoção é muito viva em nossa Diocese de Goiás. Nossa Senhora Aparecida é padroeira de algumas de nossas paróquias e de muitas capelas, e é especialmente venerada no Santuário de Areias, para onde acorrem, ao longo de todo o ano, e de modo particular no mês de outubro, inúmeros fiéis devotos, vindos de diversas regiões do estado. É bonito ver como o povo simples, a exemplo dos pescadores do Rio Paraíba, reconhece nela a Mãe que acolhe, escuta, protege e intercede por seus filhos junto a Deus.
Nos últimos dias, porém, temos acompanhado com preocupação o retorno de discussões públicas sobre o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Há registros de propostas legislativas, apresentadas em anos anteriores e hoje arquivadas, que pretendiam retirar essa condição da santa. Mais recentemente, alguns pastores de tradição evangélica fundamentalista têm se manifestado de modo equivocado a respeito da devoção mariana, chegando a classificá-la como prática contrária à fé cristã. Tais posicionamentos não contribuem para o ecumenismo e acabam por disseminar radicalismos, fanatismos e intolerância religiosa. Mais grave ainda são as notícias de que, em diversas regiões do país, ocorrem ataques a igrejas e a espaços religiosos de matriz africana, bem como são destruídas imagens de santos de nossa devoção. Esses atos ferem a liberdade religiosa garantida pela Constituição e contradizem o Evangelho da paz.
Apesar de ter seu nome e sua condição de santa tão agredidos, Maria acolhe a todos e a todas, sem distinção, oferecendo amor materno, especialmente aos mais vulneráveis da sociedade. De nossa parte, seguindo a prática de Jesus, aspiramos a paz, o diálogo e a não violência, como testemunho do sonho de Deus para seus filhos e filhas. Em missa celebrada na Basílica do Santuário Nacional de Aparecida, em 2013, o papa Francisco colocou aos pés de nossa Mãe a vida do povo latino-americano. Continuemos a escutar o pedido de Maria: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2,5), e vivamos o Evangelho da paz e da alegria da festa do Reino já presente entre nós.
Eleições 2026
Na mensagem do mês passado, abordamos a necessidade de agirmos com responsabilidade e discernimento diante das eleições em que participaremos neste mês de outubro. Reafirmamos nossa concordância com as orientações contidas nas notas publicadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) bem como por nossos bispos do Regional Centro-Oeste, e incentivamos a divulgação dessas mensagens nas missas das paróquias de nossa diocese.
O momento político de nosso país requer serenidade, para que tudo transcorra na paz e na harmonia. Renovamos o nosso compromisso cristão de defesa da democracia, da soberania nacional, do diálogo respeitoso e de cuidar da criação divina. Esses temas são uma aplicação concreta do Evangelho e nos lembram que a fé se manifesta por meio de atitudes práticas e de amor ao próximo, como instrui São Tiago: “a fé sem obras é morta” (Tg 2,26).
Como disse Pio XI, e tantas vezes reafirmou o papa Francisco, a política é “a forma mais alta da caridade”, porque busca o bem comum. Francisco retomou essa afirmação em diversas ocasiões: na Evangelii Gaudium, em seus discursos aos políticos, e na Fratelli tutti, onde destaca que “a política é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas de caridade, porque busca o bem comum”; e que “um indivíduo pode ajudar uma pessoa necessitada, mas quando se une a outros para gerar processos sociais de fraternidade e justiça para todos, entra no campo da mais ampla caridade, a caridade política” (Fratelli tutti, 180). Portanto, cada cidadão é responsável pelas consequências de seu voto, que deve visar sempre o bem comum.
Lembramos alguns critérios para o voto, conforme propõem nossos bispos. Escolham candidatos que:
- Sejam íntegros, conduzam campanhas honestas, sem compra de votos, calúnia, difamação ou fake news, e respeitem os adversários;
- Apresentem propostas consistentes para a saúde, a educação, a segurança, o trabalho, a renda e a superação da pobreza, e defendam a vida humana em todas as etapas;
- Rejeitem o uso manipulador da religião e da fé do povo, e demonstrem compromisso com a ecologia integral, a proteção das águas e das florestas e a atenção aos produtores rurais;
- Sejam capazes de dialogar, respeitar as diferenças e construir a paz social, superando o ódio e a polarização que fragmentam a nação.
Que o Espírito Santo ilumine as mentes e os corações, para que o resultado dessas eleições traga paz, fruto da justiça, ao nosso país!
Recebam meu abraço fraterno e minha bênção!

Dom Jeová Elias
Bispo da Diocese de Goiás
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