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Mensagem por ocasião da 7ª edição do encontro bienal “O Grito e a Resistência no Cerrado: sabores, saberes e fazeres dos povos deste chão”

Irmãos e Irmãs, participantes deste grande e profético Encontro,

Gostaria muito de estar pessoalmente com vocês nesse dia tão especial para a nossa diocese e para cada pessoa presente. Contudo, compromissos inadiáveis assumidos anteriormente impedem-me de estar fisicamente presente. De onde eu estiver, acompanharei com vivo interesse e com minhas orações, no sincero desejo de que seja um encontro muito proveitoso.

É com esperança e alegria no coração que me uno a vocês nesta sétima edição do “Grito e Resistência do Cerrado”, promovido pela nossa querida Diocese, através da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Que a bênção de Deus, Criador do Céu e da Terra, desça sobre cada comunidade, cada liderança, cada família e cada pessoa que aqui se reúne para celebrar a vida e defender a Criação.

Este encontro é um sinal eloquente da vitalidade da fé que se faz ação, da espiritualidade que se enraíza no chão sagrado de nosso Bioma. O tema que os guia, “Ecologia Integral”, é um chamado que ecoa diretamente do coração do Papa Francisco em sua encíclica Laudato Si’ e que foi também o tema da Campanha da Fraternidade de 2025. Ele nos recorda que “tudo está interligado” – a defesa da terra, a valorização dos povos, a justiça social e a fé em Deus são fios de uma mesma teia, urdida pelo Criador.

Na voz de vocês ressoa a gratidão pela obra da criação no louvor ao criador.

O “grito” que vocês dão é o grito da própria Terra, que “geme e sofre as dores do parto” (Rm 8,22). É o grito dos rios que secam, das matas que ardem, dos animais que perdem seu habitat. Mas é, sobretudo, o grito dos Povos do Cerrado, guardiões de saberes milenares, que veem seu modo de vida, sua cultura e sua sobrevivência ameaçadas por um modelo exploratório que não enxerga a natureza como irmã, mas como recurso a ser explorado.

A “resistência” que vocês promovem é ativa, criativa e cheia de fé. É a resistência que brota das oficinas de remédios naturais, que são sabedoria ancestral a serviço da vida. É a resistência que canta na música, que conta histórias nas exposições fotográficas, que se fortalece na partilha de experiências entre o campo e a cidade. É a resistência que reza, certa de que a luta pela justiça socioambiental é um imperativo do Evangelho.

Confio todos os trabalhos que realizarem à proteção de Santa’Ana, nossa padroeira. Que a avó de Jesus, mestra da fé de sua filha Maria e mulher seguidora das tradições do seu povo, olhe por nós. Como mulher da terra e guardiã da família e dos saberes ancestrais, inspire e fortaleça o empenho de todos como guardiões dos fazeres e saberes dos povos tradicionais e defensores incansáveis da nossa Casa Comum.

O Espírito Santo, que renova a face da terra, ilumine cada atividade realizada e conceda o dom da Fortaleza a cada um de vocês para fazer ecoar forte o grito de sofrimento da “Mãe Terra” ferida. Que esse grito encontre acolhida em muitos ouvidos e corações.

Contem com minhas orações e meu total apoio pastoral. Sigam em frente, firmes na fé e na certeza de que a semente que vocês plantam hoje, com tanto empenho e amor, é semente de um Reino de justiça, paz e integridade para toda a Criação.

Em Cristo, nosso Irmão e Redentor,

+ Dom Jeová Elias
Bispo Diocesano.

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