Goiás, Setembro de 2025.
ANO JUBILAR “PEREGRINOS DE ESPERANÇA”
“A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações” (Rm 5,5)
Caros irmãos e irmãs de nossa querida Diocese de Goiás,
Graça e Paz!
Setembro chega trazendo consigo o aroma da primavera e um convite especial do Senhor: o de aprofundarmos nosso amor e nosso compromisso com a Sua Palavra. É o mês da Bíblia, e neste ano somos convidados a refletir a Carta aos Romanos, com o belíssimo lema que ecoa em nossos corações, em sintonia com o Ano Jubilar: “A esperança não decepciona” (Rm 5,5).
Em um mundo marcado por tanta destruição, injustiça e guerra, São Paulo nos recorda que a esperança cristã não é mero otimismo ingênuo. É uma virtude sólida, alicerçada no amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5,5). É essa esperança que nos impulsiona, como Igreja, a não nos conformarmos com o mal, mas a sermos fermento de transformação em nossas famílias, bairros e cidades. Por isso, conclamamos todas as paróquias, pastorais, movimentos e, de modo muito carinhoso, nossas queridas CEBs, a serem protagonistas na organização e participação fervorosa dos encontros bíblicos semanais em nossas comunidades. Que a Palavra de Deus seja lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (cf. Sl 119,105).
Este mês inicia com um forte apelo do Espírito: o Dia de Oração pela Criação (01/09). Em sintonia com o papa Francisco na Laudato Si’ e preparando-nos para a COP30, somos chamados a uma conversão ecológica integral. Neste ano, a CNBB disponibilizou o texto litúrgico com a proposta da “Missa pelo cuidado da criação” convidando-nos a viver esse dia sintonizando profetismo e oração. Rezemos pelo nosso planeta, ameaçado pela cultura do descarte e pela ganância desmedida. Este cuidado não é opcional; é parte essencial de nossa fé e de nossa opção pelos pobres, os que mais sofrem com a degradação ambiental. Ao longo do mês, datas importantes nos lembram dessa missão: o Dia da Mulher Indígena (05/09), verdadeira guardiã da biodiversidade; o Dia do Ar Limpo (07/09); o Dia de Proteção da Camada de Ozônio (16/09); e o Dia Mundial dos Mares (29/09). Cada data é um grito da criação que clama por respeito (cf. Rm 8,22).
No dia 07 de setembro, lembramos a Independência do Brasil. Que esta data não seja apenas a recordação do tempo em que fomos colônia de Portugal, mas um grito por uma verdadeira independência: contra a fome, a desigualdade e toda interferência estrangeira que ameace nossa soberania e o bem-estar do nosso povo. É fundamental defendermos a autonomia das nossas instituições democráticas. Acompanhamos com preocupação as declarações de potências estrangeiras, que tentam influenciar e pressionar o Estado Democrático de Direito no Brasil, mas também a firmeza das nossas instituições e do nosso povo na defesa da sua soberania. Neste mesmo dia, ecoa o Grito dos Excluídos, profecia viva que clama: “Vida em primeiro lugar! Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”. Que nosso patriotismo seja um compromisso concreto com a justiça social.
No calendário litúrgico, destaco a festa da Exaltação da Santa Cruz (14/09) mostrando que nossa esperança tem forma concreta: a do Cristo que se doou por amor até o fim. A cruz não é sinal de derrota, mas de vitória sobre o pecado e a morte. Ela nos ensina que o verdadeiro poder não está na dominação, mas no serviço; não na exploração, mas no cuidado. A cruz é árvore da vida, não da morte.
Que o mês de setembro seja um tempo de fervorosa escuta da Palavra, de corajosa defesa da vida e da criação, e de renovada esperança em Deus, que jamais nos decepciona, sob a inspiração e proteção da Senhora Sant’Ana, nossa padroeira diocesana. Recebam meu abraço fraterno e contem com minhas orações.
Recebam meu abraço fraterno, minhas orações e comunhão!
+Dom Jeová Elias
Bispo de Goiás






