Goiás, Novembro de 2025.
ANO JUBILAR “PEREGRINOS DE ESPERANÇA”
“A esperança não decepciona” (Rm 5,5)”
Queridos irmãos e irmãs,
Paz e Bem!
Iniciamos o mês de novembro com os corações agradecidos a Deus por seu constante auxílio em nossa missão. Este é um tempo singular, que nos convida a aprofundar três importantes aspectos de nossa fé: o serviço aos pobres, a realeza de Cristo e a esperança vigilante do Advento.
De 9 a 16 de novembro, a Igreja nos convida a vivenciar a IX Jornada Mundial dos Pobres, instituída pelo papa Francisco em 2017 e seguida com a orientação do papa Leão XIV. Esta atividade constitui um apelo profético a renovarmos nosso olhar e nos comprometermos com a causa dos mais necessitados, vendo neles o rosto sofredor de Jesus Cristo. Esta convocação encontra eco profundo na Opção Fundamental da nossa Diocese pelos pobres, um caminho que nos identifica e compromete como Igreja samaritana.
Em sua mensagem para este IX Dia Mundial dos Pobres, o papa Leão XIV propõe como tema de reflexão: “Tu és a minha esperança” (cf. Sl 71,5), em sintonia com o Ano Jubilar em curso. O Santo Padre nos lembra que a esperança está firmemente ancorada no amor de Deus, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. O pobre, afirma o papa, é um testemunho vivo de esperança, pois, marcado pela precariedade e marginalização, dirige seu clamor a Deus, que é “nossa primeira e única esperança verdadeira”. Leão recorda que “a pobreza mais grave é aquela de não conhecer a Deus”. O pobre, em sua necessidade, abre-se à fé, manifestando de modo existencial sua dependência do Senhor.
Como discípulos missionários, somos chamados a abraçar essa Jornada. Para traduzir nossa fé em gestos concretos, e renovar a esperança, convido cada comunidade, pastoral e grupo a:
- Antes de tudo, planejar bem as atividades a serem realizadas;
- Promover momentos de convivência, escuta atenta e, por que não, um evento cultural que celebre a dignidade das pessoas mais vulneráveis;
- Visitar os locais onde vivem os mais pobres, oferecendo não apenas um lanche ou refeição, mas a dádiva do respeito e da amizade sincera;
- Envolver o poder público local, identificando violações de direitos e, quando necessário, formalizando denúncias, pois a caridade não dispensa a justiça;
- Promover momentos orantes com os pobres e por eles, integrando-os no coração de nossa vida comunitária;
Como sinal concreto de comunhão diocesana, continuaremos a campanha de arrecadação para nossas entidades que cuidam dos mais vulneráveis. Como no ano passado, as comunidades das quatro regiões pastorais da nossa Diocese, são convidadas a doar:
- Região Rio Vermelho: alimentos para o Lar de Idosos São Vicente, de Goiás;
- Região São Patrício: alimentos para o Hospital São Pio X;
- Regiões Serra Dourada e Uru: alimentos e outros materiais para a Comunidade Terapêutica Paraíso.
Domingo, dia 16 de novembro, será um dia importante dessa Jornada, Por isso, peço uma atenção pastoral e litúrgica muito especial a este tema. Que as homilias, as preces dos fiéis e todo o ambiente da celebração ajudem a comunidade a colocar os pobres no centro da reflexão e da oração, renovando nosso compromisso com eles.
É fundamental recordar, contudo, que nossa atenção ao pobre, intensificada durante esta Jornada, não pode se esgotar nela. Enquanto houver um único irmão ou irmã sofrendo com a pobreza que avilta a dignidade humana, nossa consciência deve permanecer inquieta. Nosso esforço por erradicar a miséria e construir uma sociedade mais justa e fraterna é um compromisso cristão permanente, que brota do Evangelho e da nossa opção fundamental.
No domingo, 23 de novembro, concluiremos o Ano Litúrgico com a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei-Servidor do Universo. Esta celebração não coroa um soberano político, mas proclama aquele que reina a partir da cruz, lavando os pés de seus discípulos. O reinado de Cristo é serviço que atinge seu ápice na cruz e ressurreição. No amor que vence a morte. Nessa Solenidade, também celebramos o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas, agradecendo a Deus por todos aqueles que animam nossas comunidades e são sal da terra e luz do mundo.
Como “Peregrinos de Esperança”, acolhemos o Tempo do Advento, no qual devemos reavivar em nossos corações o esperançar vigilante e alegre pela vinda do Senhor. O Advento nos sintoniza com a essência do Ano Jubilar: somos, de fato, Peregrinos de Esperança, em busca daquele que completa e plenifica todas as coisas.
Este tempo sagrado nos convida a preparar o nosso coração para a tríplice vinda do Senhor: Recordar e celebrar sua vinda histórica, aguardar sua vinda gloriosa no fim dos tempos e, de modo particular, vigilantes, acolhê-lo no hoje da nossa história. Ele vem ao nosso encontro nos santos mistérios que celebramos, mas, de forma comovente e exigente, já se faz presente na pessoa do pobre, do faminto e do excluído. Foi o próprio Jesus quem revelou este critério do juízo final, identificando-se totalmente com cada pessoa que sofre: “Sempre que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25, 40). Portanto, a atitude de vigilância e acolhida, que caracteriza o Advento, deve estender-se aos nossos irmãos empobrecidos. Preparar o coração para a celebração do Natal é, antes de tudo, reconhecer e servir a Cristo que já bate à nossa porta no rosto do necessitado.
Em nosso país, para acolher melhor o Senhor que vem, nos preparamos com os encontros da “Novena de Natal em Família”. Que eles sejam preparados com fé e carinho, e manifestem nossa alegre expectativa pela vinda do Senhor. Que unidos em oração, possamos invocar confiantes: “Maranathá! Vem, Senhor Jesus!”.
A cada um de vocês, minhas irmãs e meus irmãos, desejo, de coração, um bonito e fecundo tempo do Advento, que renove a esperança em sua vida, e transforme o nosso coração.
Recebam meu abraço fraterno e contem sempre com minhas orações.

+Dom Jeová Elias
Bispo de Goiás





