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Eis o Cordeiro de Deus! Jo 1,29-34

II domingo do Tempo Comum | Jo 1,29-34

Por Dom Jeová Elias, Bispo de Goiás

Iniciamos o Tempo Comum em nossa liturgia, período em que celebramos o mistério de Cristo em sua totalidade, sem nos determos em aspectos particulares. O Tempo Comum envolve o cotidiano de nossas vidas, marcado não apenas pelo chronos – o tempo do relógio –, mas pelo Kairós, o tempo da graça divina. Ao longo deste ano, seremos conduzidos pelo Evangelho de Mateus, que apresenta Jesus como o mestre da justiça e nos convida a buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, pois o resto virá por acréscimo (cf. Mt 6,33).

Neste domingo, contudo, a liturgia ainda nos oferece um texto do evangelista João, que nos apresenta Jesus pelo testemunho do Batista, ao afirmar duas vezes: “eu não o conhecia” (vv. 31 e 33). Na linguagem bíblica, o verbo “conhecer” significa ter afeição, um amor profundo e comprometedor, indo muito além de um simples saber intelectual. O evangelista João, ao não especificar a quem o Precursor dirigia sua palavra, sugere que seu testemunho sobre Jesus se destina a todas as pessoas, em todos os tempos e lugares.

João Batista revela Jesus com três importantes títulos: primeiro, como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (v. 29), imagem que remete ao cordeiro pascal (cf. Ex 12,1-28), que liberta os judeus da escravidão no Egito, e ao Servo Sofredor descrito pelo profeta Isaías (cf. Is 53,7-12), que carrega sobre os ombros o sofrimento humano. As duas imagens sugerem que Jesus veio para nos libertar, para exterminar “o pecado do mundo”, no singular, que na perspectiva do evangelista João, é a recusa da proposta de vida oferecida por Deus à humanidade.

Depois, João o apresenta como “aquele que batiza com o Espírito Santo” (v. 33). Toda ação de Jesus é conduzida pelo Espírito. Após sua ressurreição, Ele o sopra sobre os discípulos e ordena que batizem “Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (cf. Jo 20,21-22; Mt 28,19).

Por fim, João Batista declara que viu e testemunha que Jesus é o Filho de Deus (v. 34). Essa afirmação significa que Deus se encarna em nossa história, se faz pessoa, arma a sua tenda entre nós e nunca mais nos abandona. Veio para nos libertar e conceder a vida em plenitude.

João Batista progride no conhecimento de Jesus: parte do não- conhecimento, passa pela apresentação de Jesus como o Messias sofredor, depois como o Santificador, e culmina no testemunho supremo de que Ele é o Filho de Deus.

A Igreja valorizou profundamente a apresentação de Jesus como “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, a ponto de incluir esse título no rito da comunhão, quando o sacerdote apresenta o pão partido e afirma: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. E nós respondemos: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo” (Mt 8,8).

A missão de Jesus é não apenas perdoar o nosso pecado, mas eliminá-lo. Como nos lembra o pe. Pagola, “pecar é não aceitar Deus como Pai e, consequentemente, não aceitar a fraternidade que Deus quer ver implantada entre nós” (O Caminho Aberto por Jesus – João, p. 38). Como seguidores de Jesus, somos chamados a lutar cotidianamente para superar o pecado que destrói a beleza de nossa vida e da vida em comunidade.

 

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